Archive for the ‘Realidade’ Category

Pensar diferente muda tudo

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7 BILLION PEOPLE

EXPERIENCED THIS DAY

IN A DIFFERENT WAY

“… isso não faz com que eu desista. Às vezes me leva a encontrar outra opção.”

E foi assim que eu terminei mais um dia de trabalho que poderia ter sido “só mais um”, se não fosse a percepção do presente.

O texto a seguir precisa ser lido e entendido além do que ele aparentemente diz. 😉

Como já é normal de se encontrar em São Paulo, fiquei uns bons minutos esperando o trânsito andar na avenida. Enquanto isso o Waze só aumentava o tempo de previsão. Entendi que não adiantava ser mais um carro parado. Resolvi então voltar um trecho e pegar uma rua no sentido oposto onde o trânsito estava fluindo.

E as vezes nós fazemos isso. Ficamos parados no trânsito e reclamando da situação que estamos.

Poxa, eu tô vendo todos parados. Não sou o único que não vai pra frente, todo o processo está travado. E de vez em quando, podemos encontrar outro caminho que te leve onde precisa chegar.

Normalmente ficamos insistindo na mesma rua que estamos acostumados a andar, por conveniência, comodidade ou simplesmente porque é o único caminho que conhecemos. Então pensamos: “tem que ser por aqui e tem que ser desse jeito”.

E quando pensamos que temos o controle, que sabemos o caminho, a vida prova que nem sempre é do nosso jeito e que, quase sempre, temos que tomar decisões de mudança. E vai ver que é aí que a vida dá certo!

São nesses momentos de incerteza, insegurança e que precisamos tomar decisões, que percebemos estar indo pelo caminho certo. Porque estamos fazendo diferente. Escolhemos pegar outro caminho, que não aquele conhecido por todos parados no trânsito. Mas é um que nós faremos por conta, assumindo riscos e consequências de nossas próprias decisões. É aí que crescemos!

Viver assim é pra quem acha que tem muito a aprender, conhecer, ouvir e ser ouvido. Que mesmo tendo vivido muitos anos, ainda acha que tem muito mais a viver.

Então, da próxima vez que se ver parado no trânsito, procure outra alternativa (pense diferente). Mesmo que essa alternativa seja simplesmente aumentar o som do carro, cantar e dançar a sua música preferida, até que as coisas (ou o trânsito) volte a fluir. =)

Mudar a forma como você pensa, muda sua atitude e a forma de encarar a situação. Isso deixa seu dia mais leve, sua rotina mais simples. Dessa forma você passa a abrir mais espaço para outros sentimentos e pessoas que você realmente quer na sua vida.

Abra espaço para conseguir apreciar tudo o que se apresenta agora. Porque tudo o que você tem é seu presente, deixando ontem na ilusão do passado e amanhã na descoberta do futuro. Então repense e aproveite!

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Motivos para levantar da cama numa segunda-feira nublada

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Primeiro motivo: viver. A todo momento pessoas estão morrendo e nascendo. Como você já nasceu… precisa aproveitar.

 

Outro bom motivo é poder presenciar os pequenos momentos daqueles que passam despercebidos entre uma notícia na TV e um post do facebook, mas se conseguir captar, muda seu dia.

O dia e a sua intuição estão, a todo momento, dando dicas e sinais para onde ir e como seguir seu caminho.

Mas você precisa estar atento para perceber esses sinais. Mais do que atento, é necessário despertar e deixar que a sua intuição interprete as situações através daquele outro olhar, além do que se vê.

 

No final da semana você se dá conta de que tudo nada mais é do que uma sequência de encontros e desencontros.

De alguns tiramos lições que servirão de ferramentas durante a jornada.

Outros são tão repentinos que assim como chegaram, se vão num piscar de olhos e depois mal lembramos deles. Desses que mal percebemos, com certeza fomos úteis para a caminhada de alguém.

Em muitos poucos, acabamos ficando. Encontrando dia após dia a mesma pessoa, e a cada dia encontramos algo novo nela. Esses, acredito eu, são os tipos de encontros mais raros. Mas nem por isso são os melhores.

 

Eu acordo para me encontrar. Em mim, em você e em cada ser desse lugar.

 

E você? Acorda pra quê?

Lembranças – isso e aquilo que constróem nossa história

 

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Lembranças – isso e aquilo que constróem nossa história.

Quando encontramos pessoas queridas que não vemos há certo tempo, logo nos deparamos relembrando momentos que passamos juntos deles, ou um daqueles life events, posts da time line, resgatados com um like aleatório, que a partir daí passa a ter relevância.

Foi aí que me peguei revendo fotos, em especial da última viagem. Estranho que depois de algum tempo, você passa a lembrar de coisas que não lembrava antes, e passa a tirar conclusões que só depois de outras coisas acontecerem, começam a fazer sentido.

Pois tudo não passa de um grande tecido, cheio de linhas que estão o tempo todo se conectando e formando novas ideias, ideais tomando forma e criam coisas que nos encantam. Pois, parte das coisas boas vêm das lutas, mas a outra parte vem sem avisar.

Sobre os livros que escrevemos

Antes a impressão era de um livro com algumas páginas em branco e sem a menor ideia do que escrever nessas páginas.

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O dia de embarcar chegou. A impressão continuou, e as páginas começaram a ser preenchidas. Cada dia sabe se lá quantas páginas foram preenchidas. Mas ao menos uma certeza levo daqui. Valeu a pena, absolutamente tudo!

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Conheci muitas pessoas boas, outras ruins, houve as que ajudaram e que ajudaram sem mesmo saber. Ajudaram me ajudando e me ajudaram sendo ajudadas. A boa mesmo foi dar o melhor de si em tudo que fiz. Há razões pra acreditar que é possível ser mais feliz vendo o outro ser feliz.

Conheci lugares incríveis que nem em sonho pensei um dia estar, daquelas paisagens que você fica olhando por vários minutos até tentar gravar, como uma foto na sua mente, aquela cena espetacular.

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As páginas desse livro estão repletas de momentos bons, de pequenas e grandes felicidades, com pessoas daqui da África do Sul, de várias partes do mundo e daí do Brasil, que mesmo distantes, fizeram parte do meu dia a dia acompanhando cada pequena conquista.

Páginas cheias de pessoas com costumes, jeitos, caras, caretas, aromas, manias, músicas, temperos, conceitos e pré-conceitos… e tudo isso é rico demais! Rico em valor não em preço, tudo o que foi vivido, pode parecer clichê, mas não tem preço!

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Existem coisas que só vivenciando é possível perceber. Certa vez uma amiga muito querida me disse que ‘Viajar é resgatar horizontes, é enxergar o mundo de portas e janelas escancaradas’. Desde então ela nunca mais foi a mesma, nem a forma como ela passou a enxergar seus horizontes. Eles passaram a não caber mais nela. E assim ela encontrou seus sonhos neles.

Agora passo a entender exatamente o que ela me disse e o que sentiu quando me falou disso tudo. Nessa viagem conheci muitos apaixonados pelo mundo, apaixonados por conhecer cada canto dele e todas as peculiaridades de cada região. Acho que me tornei um apaixonado pelo incomum, pelo desconhecido.

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Sim, foram só 30 dias. Mas a impressão que dá é que demorou muito mais do que isso. Vai ver é porque, quando nosso cérebro executa ações rotineiras, as quais ele já está acostumado a fazer, o raciocínio torna-se automático.

Diferente de quando ele precisa trabalhar e começar do zero, sem referências, sem informações e tendo ainda que captar a maior quantidade de informações, processar e armazenar o que for importante. É aí que você começa a sentir o tempo. E agora ele não passa tão mais rápido como quando você tem as questões conhecidas do dia pra resolver, e quando 24h parecem ter apenas 5 horas de duração.

Quando você muda de lugar, o dia passa a ter a mesma duração de quando você era criança e precisava aprender tudo, conhecer tudo, assimilar, processar e armazenar o que for importante.

Nossa visão do mundo está em constante mudança, não é algo estático. Viajar nos dá a oportunidade de crescer.

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Meu housemate é um japonês de 64 anos de idade. A história dele, de forma resumida, é mais ou menos assim:

Ele é um professor de colegial aposentado, conheceu sua esposa em uma reunião de professores. Sempre tiveram a mesma paixão, viajar juntos. Ele me contou que eles tinham muita coisa em comum, só que ela sabia desenhar e cantar muito bem (coisa que ele admira, pois não sabe fazer) Quando se aposentaram, eles resolveram fazer viagens pelo mundo. Conheceram vários países, lugares lindos. Há dois anos ela partiu. Mas ele continua a viajar.

Ele me disse que quando viaja, leva ela no coração, assim ela pode estar ao seu lado pra sempre, onde quer que ele vá.

Portanto, ele me disse, quando você pensa: “Sim, mas…tenho tantas coisas que me impedem”, esse discurso permite se desculpar para você e outras pessoas, enquanto soa um tanto nobre. Enquanto isso o tempo vai passando, junto com as oportunidades. O “Sim, mas…” mata seus sonhos.

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Agora que estou voltando, vejo mais páginas em branco esperando para serem preenchidas com momentos, fotos, músicas, palavras, cores, sorrisos, pessoas, amizades, amor, tudo de bom e tudo o que vier pra trazer experiência.

A mesma paixão que usei pra preencher cada página dessa viagem, pretendo usar para preencher essas e as próximas páginas, fazendo de cada dia uma nova oportunidade para construir uma história cheia de vida.

E que venham as próximas viagens. Os planos já estão sendo feitos. =]

Direto de Cape Town, África do Sul [reblog]

 

 

Uma garota que prefira gastar seu dinheiro numa viagem no final de semana, uma viagem bate-e-volta que seja a torrar numa promoção do shopping. Ela anda com calçados confortáveis, pois nunca sabe qual distância ela irá andar aquele dia, afinal, ela não reconhece as distâncias como barreiras na vida.

 

Ela estará na rodoviária com um mochilão no próximo final de semana, ou em shows de bandas que você nunca ouviu falar “porque conheci eles há um ano, viajando”.

 

Ela carrega na bolsa lembranças de vários lugares diferentes, e sempre tem um lanchinho ou uma garrafa d’agua dentro dela, pois vai que ela não volta pra casa naquele dia? É marcada em mil fotos diferentes, de pessoas que moram bem longe dela, coleciona presentinhos que ganhou dos amigos que conheceu pela estrada, têm planos para viajar pelos próximos cinco anos para rever todos que teve que deixar pelo caminho. Encontra pessoas no meio da rua em um lugar bem longe onde jamais você conheceria alguém, e você verá que do outro lado do mundo tem alguém que a olha com o mesmo sorriso bobo que você faz quando a vê.

 

Ela não será a pessoa mais bem vestida por aí, porém a pele queimada de sol e o corpo com os músculos naturalmente desenhados de tantos dias nas montanhas combinadas com brincos sulamericanos, uma mochila da Espanha e sapatos da Ásia, farão uma combinação de estilo tão único, tão vibrante, que você já saberá alguma coisa sobre ela antes mesmo de perguntar seu nome. Não jogue com ela, não diga que ela é linda, pergunte de onde vem essa camiseta que ela veste, escute-a, veja a simplicidade da resposta e não se preocupe: você viajará com os “causos” dela antes mesmo que perceba isso.

 

Ela lê livros de viagens, escuta Eddie Vedder na estrada, sabe nome de lugares maravilhosos os quais você nunca havia ouvido falar antes. Fala com uma paixão sobre os lugares que é impossível não ter vontade de pedir demissão amanhã do trabalho, colocar a mochila nas costas e ela do lado. Muitas vezes vai te surpreender resolvendo coisas de um jeito totalmente novo, dizendo quando vir sua cara de espanto: “é que uma vez quando eu estava viajando, aconteceu algo assim e…”. Ela vai querer te levar em todos os lugares em que esteve sozinha, e pensou como seria bom se estivesse acompanhada, vai fazer uma lista com você de “coisas para se viver esse ano”, vai completar com toda certeza, vai trazer cenários de filmes para sua vida, vai te fazer acreditar passar a noite num saco de dormir com o céu estrelado, te faz sentir muito mais especial que qualquer quarto de hotel estrelado.

 

Namore uma garota que viaja, porque ela ama a vida. Ela não tem tempo para picuinhas, sabe que a vida voa, e que é melhor amarmos agora, na maior das intensidades, porque nunca se sabe que curso a vida tomará amanhã. Você pode ir embora, se apaixonar por outro lugar, por outra vida, que não a inclua. Ela pode reclamar, mas sabe bem que isso acontece. Vai vibrar com suas conquistas mesmo que te levem pra longe dela, pois sabe o prazer que o desconhecido causa, e sabe também que as distâncias jamais levam as pessoas que amamos de verdade de nós, pelo contrário, as fixam que nem tatuagem. Não tem muitas coisas materiais, sabe que roupas desnecessárias na mala significam um problema de coluna por peso, passa dias e dias apenas com algumas peças, e continua linda se ver: ela se veste dela mesma, e não há como bater isso.

 

Não siga padrões com ela. Não faça nada que envolva muito dinheiro com ela. Escolha o caminho mais bonito da cidade para atravessar a cidade do trabalho dela até a sua casa, ou até o restaurante de comida peruana mais próximo, preste atenção nos comentários que ela fizer sobre as coisas no caminho. Uma garota que viaja, tem um olhar aguçado de uma criança. Vai te fazer reparar numa planta florida, num grafiti fantástico que você nunca reparou, num anúncio colado no ponto de ônibus de um show interessante, vai definir os lugares pelos cheiros agradáveis no ar: “Roma tem cheiro de pizza, que nem esse cheiro agora”. Tudo coisas que de dentro de um carro importado com o ar condicionado ligado, não aconteceria.

 

Você viverá o momento presente como nunca. Ela te chamará atenção para tudo que está a sua volta, e não na briga que tiveram ontem. Ela vai ser a trilha sonora da tua vida.

 

A garota que viaja sabe te ouvir. Já ouviu muita gente do mundo inteiro, e o que alegrava os dias mochileiros dela era justamente se inserir nas histórias de tão longe. Ela repara o que ninguém repara no que você fala. Só você havia prestado atenção nisso. Ela te ajuda sem esperar o retorno imediato, sabe como é essa vida, já foi ajudada inúmeras vezes na estrada sem que a pessoa pedisse um tostão de volta, e voltou para casa certa de fazer tudo diferente, pois sabe o quanto isso pode significar na vida da outra pessoa. Ela não liga para coisas pequenas como datas e presentes, ela liga para o quanto você andou para encontrá-la, o que você prestou atenção das coisas que ela te disse para mandar uma mensagem no celular dizendo “tá tocando aquela música que você disse ser a música de Cuzco. Saudades!” e provavelmente a resposta será: “Escutaremos ela de novo, lá”.

 

De repente, sua vida tomará um ritmo acelerado, cheio de novidades. Porém não descuide: traga novidades para a vida dela também, mantenha a curiosidade dela sempre acesa. É indispensável que fique na sua cabeça que estamos falando de uma menina apaixonada pela vida. Logo, não corte suas asas. Ela vai, caso você não possa ir. Ela volta, porque você é o motivo para ela se lembrar do caminho de volta. Acompanhe-a sempre que puder, e não espere para propor qualquer programa para ela, por mais louco que julgue ser. Ela vai sorrir e bolar várias coisas a mais para complementar o plano de vocês, e vai se encantar com sua energia. Ela sabe se encantar pelas coisas boas da vida, seja uma delas! Então juro: não há o menor risco de se arrepender.

 

Casamento é algo que assusta a maioria das garotas viajantes, mas no fundo é o que mais elas querem: alguém que elas possam rir tomando “uns bons drinks” relembrando as histórias de 1, 2, 8 anos atrás, alguém que tope uma casinha simples num lugar paradisíaco, e mesmo que você não faça a linha radical, que tire as fotos do rafting que ela estava louca para fazer, e a ajude a contar depois para os outros como foi a loucura, com a mesma empolgação. É, você vai se empolgar. Ela vai te propor um casamento numa montanha, com o Sol nascendo, ou na fazenda de um dos seus amigos, só com aquelas 50 pessoas que com toda certeza irão. Seja lá o que for, vai ser incomum, impensado como ela é, impensável, imprevisível. E a lua de mel, não espere menos que um mochilão! Menos dinheiro em cada lugar, mais lugares no itinerário, vários passeios e comidas curiosas encontradas pelo caminho que não são oferecidas pelas agências de viagens. Aliás, agência o que?

 

A menina que viaja não tem medo da idade, não tem medo das responsabilidades, das obrigações: ela já viu inúmeras soluções para cada caso por aí, já tem tudo montado na cabeça. A família de vocês vai ter um conhecimento de mundo incrível. Seus filhos vão saber o valor que cada refeição tem, de cada teto que dormem, de cada monumento histórico que encontrem na frente. Ela vai os ensinar respeitar e amar incondicionalmente a natureza, e ter uma habilidade incrível de se enturmar com qualquer tipo de pessoa do mundo. Serão pessoas bem queridas onde quer que vá se depender de vocês. Ah, e não se esqueça dos cachorros.

 

Pense nela aos 6º anos: mesmo sorriso, mesmas andanças. O que te atrair nela, provavelmente será pra sempre, invariável com o tempo. Uma pessoa que acumulou uma qualidade de experiências notória, e que a cada dia que passa se diverte com menos e se aborrecer com quase nada. Já terá vivido tanta coisa por aí, que será a atração dos netos de todas as idades, explicando o significado do quadro Maia estranho na parede, e fazendo a dança indiana no casamento de um deles. Esse tipo de alegria nunca se apaga só se prolonga, e se espalha a quem a cerca.

 

Namore uma menina que viaja. Se ela te escolher, acredite: já passou tanta gente pela vida dela, de longe, de perto, pouco tempo, muito tempo, e se ela te escolheu é porque ela realmente GOSTA de você. Sem inseguranças ou interesses, ela gosta de você e pronto. Deixe-a te carregar pela mão, durma no colo dela nas rodoviárias, delicie seu miojo de acampamento. Deixe o mundo ser apresentado a você, caso ainda não tenha sido, e veja como alguém pode, definitivamente, ser a chave da sua alegria.

Tradução: Eveline 

Publicado por Rodrigo Nominato, no blog aventure-se.com

Post original, em inglês: Solitary Wanderer

Ainda é domingo!

Um texto de Nilton Bonder

Os domingos precisam de feriados


“Toda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Hoje, o tempo de “pausa” é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações “para não nos ocuparmos”. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.
Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas.
Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo…
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o Domingo de um feriado…
Nossos namorados querem “ficar”, trocando o “ser” pelo “estar”. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI. Um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.
Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos…
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.
O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.
A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é “o que vamos fazer hoje?” já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande “radical livre” que envelhece nossa alegria e o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar”.

A definição do desapego por DeRose

Ao falarmos sobre desapego podemos associar tal conceito a imagens de homens que renegaram seus pertences, que contestaram o sistema e abriram mão de suas posses, ou então lembrar-nos daquele amigo desleixado, que vive deixando seus coisas por aí sobre a máxima de: “eu não ligo para os bens materiais”.

Mas como poderíamos definir desapego em nossa sociedade contemporânea? Como poderíamos tornar esse conceito viável e útil para nossos atuais padrões de comportamento?

O conceito do desapego, em sua real significação, deve ser compreendido como a percepção da felicidade em si mesmo, sem a projeção e consequente dependência do sentimento de bem estar sobre objetos pessoais, pessoas ou transformações que possam ocorrer em nossas vidas.

Perceber que o sentimento de felicidade é independente das circunstâncias geradoras, e que surge apenas pela nossa intenção de ser ou estar feliz, é a chave para conseguirmos uma real independência, e consequente desapego, frente a tudo que possuímos.

Lembre-se que o exercício do desapego não deve induzir à acomodação, ao desleixo. Deve sim levar à percepção de que tudo o que nos cerca, nossas propriedades e pertences, são ferramentas necessárias, meios e caminhos para a felicidade, e não pontos de chegada.

Texto de: DeRose 

“Quando se observa a não possessividade, compreende-se o sentido da vida.”
Pátañjalí